23 de fevereiro de 2009

ENTREVISTA a ESTRELINHA...

Dando continuidade ao meu rol de entrevistas às pessoas que representam os meus "outros significativos", apresento Estrela Paulo, treinadora-adjunta da ADC Gualtar e membro essencial na equipa. Promove a interactividade de forma educativa, dinâmica e muito divertida. Procura o bem-estar das atletas sempre através do diálogo. Pessoalmente tem sido um privilégio conhecer cada vez mais as suas qualidades.

Vamos conhecê-la um pouco melhor...

Mélissa: Falamos imenso e já tive muitas oportunidades para a interrogar acerca deste assunto, mas nunca o fiz. Como é que surgiu o futsal na sua vida e qual o seu percurso até chegar à ADC Gualtar?
EP: Enquanto professora de Matemática, e como deves calcular, nunca me passou pela cabeça ligar-me ao desporto.
Sempre pratiquei várias modalidades e sempre tive um carinho especial pela bola, mas daí a entrar desta forma numa modalidade, não estava mesmo nos meus horizontes. Entretanto e com alguma surpresa a ADER Mogege convidou-me a mim e ao Bruno para avançar com um novo projecto e devo dizer que até foi fácil convencer-me porque gosto de desafios.
Após aceitar o convite houve necessidade de desenvolver um trabalho específico, que parecia condenado ao fracasso face às conjecturas que atravessava a ADER Mogege. Nunca deixamos de acreditar e levamos o projecto de 2 anos até ao fim e esse fim coincidiu, precisamente, com a criação do novo projecto na ADC Gualtar.
Mélissa: E desde então está de corpo e alma nesse projecto. Quer descrever-nos de que forma se empenhou e tem empenhado para a existência da nossa equipa?
EP: É mesmo como dizes... de corpo e alma, talvez porque sinta que parte de mim está no projecto.
Olhando para trás, posso dizer que foi tudo muito simples, apesar de ser complexo formar uma equipa. A ideia surgiu da necessidade de juntarmos um conjunto de atletas que na altura se davam bem e que por diversos motivos estavam em equipas diferentes. Tínhamos relações de amizade e não fazia sentido continuar a lutar por emblemas diferentes. Dessa forma, a ideia foi ganhando contornos e depois foi só passar para o papel, criando assim o projecto. Já com o projecto, com patrocinador e atletas, não foi difícil arranjarmos uma equipa a ceder o nome.
Não posso dizer que tive o papel principal, mas reconheço que talvez tenha sido a pessoa que mais acreditou e sentiu que o projecto se ia concretizar. Devo no entanto referir que grande parte das atletas são também responsáveis pelo projecto, e tu principalmente, tornando assim o projecto diferente dos demais, onde cada um tem sempre uma palavra a dizer e um papel definido e importante a realizar.
Actualmente o meu empenho é o mesmo, tal como é o empenho de todos, que se orgulham de partilhar momentos juntos, sejam eles felizes ou tristes.
Mélissa: Apesar de estreantes no campeonato, a equipa tem dado muito que falar. Não acha?
EP: A equipa sempre deu que falar... aliás a equipa ainda não tinha realizado nenhum jogo oficial e já líamos aqui e ali que éramos candidatos a isto e aquilo. Compreendo que as pessoas tenham criado expectativas quando começaram a perceber as atletas que tínhamos e sejamos realistas... estreante só o nome da equipa, isto se olharmos à grande experiência das atletas. No entanto, convém que as pessoas compreendam que uma equipa não se constrói de um momento para o outro e como tal não sentimos qualquer tipo de pressão para conseguir o que quer que seja. Apenas dizer que o grande segredo é a união, é falarmos olhos nos olhos, é sabermos bem o que queremos e qual o caminho e a maior vitória, tal como já disse várias vezes, é estarmos juntos. Acredito que não seja fácil para quem está fora do grupo entender esta nossa linguagem, mas nós sentimos o que dizemos e sobretudo o que vivemos e não é por acaso que nos apelidamos de "família".
Mélissa: A forma como fala denota uma grande entrega e vai também de encontro ao papel que desempenha. Quer falar-nos sobre esse papel? Como é lidar com as "meninas" desta sua nova equipa?
EP: Esta questão não é fácil de responder. Relaciono-me facilmente com toda a gente e o que mais me caracteriza e deixa feliz é a facilidade que tenho em proporcionar o sorriso aos outros. É assim que encaro o dia-a-dia. Transportando isto para o futsal "obriga" a que desempenhe diversas funções, para que o equilíbrio se mantenha, portanto não lhe chamaria papel, porque dou comigo... a ser treinadora, a ser amiga, a ser mãe... às vezes a ser isto tudo!!! E posso dizer que actualmente me sinto feliz com a forma de estar e lidar com as minhas atletas, porque já me conhecem bem e sabem que podem contar sempre comigo. Para mim são as maiores... por tudo aquilo que são e pela constante disponibilidade em ajudarem-se umas às outras. Criam um ambiente no balneário como nunca vi e isso torna-as especiais e merecedoras de tudo o que de melhor existe.
Mélissa: Esta entrevista é para mim um grande desafio devido à grande amizade que fomos construindo fora do futsal. Tem certamente consciência que muito me tem ajudado a crescer nesta minha viragem de vida, ajudando-me a optar pelas decisões mais equilibradas e a escolher os momentos certos para agir. Como tal pedia-lhe para falar da Mélissa que conhece fora das quatro linhas.
EP: Eu conheci primeiro a Mélissa... a menina altiva, fria e de poucas palavras. Depois fui conhecendo a Verdadeira Artista, tal como sempre chamei face à grande qualidade com a bola nos pés. Mais tarde conheci a Mely, a amiga, a jovem-adulta que sabe o que quer.
Tenho tido o privilégio de acompanhar de perto as maiores transformações da sua vida e de ser chamada a dar o meu contributo, para que consiga ser cada vez melhor.
Posso dizer que o que mais a caracteriza actualmente é a vontade constante em evoluir, em crescer... A inteligência que possui leva a desafiar-se a si própria, debaixo de uma personalidade madura, capaz de pensar na melhor forma de vencer qualquer desafio. Vai deixando escapar a sensibilidade, que noutros tempos andava escondida, permitindo-lhe ser menos racional, mas mais ajustada à vida que enfrenta. Já percebeu que a humildade é um atributo que precisa de ter e vai construindo a sua vida, lutando contra os atributos menos positivos que lhe são inatos.
Mélissa: Quando estou em campo sinto que confia e acredita muito em mim. É também das pessoas que mais me exige. Gostaria que comentasse tal facto...
EP: És uma atleta de eleição e capaz de num momento de magia resolver qualquer jogo. Já te vi a fazer coisas com a bola que deixam qualquer pessoa de boca aberta. É uma delicia ver-te tratar tão bem a bola. Só posso ficar feliz por poder contar contigo. Eu e todas as pessoas da equipa confiamos e acreditamos sempre em ti... já te mostramos isto imensas vezes. Só que o talento tem um preço e como tal, o que te tento sempre mostrar é que não podes relaxar nunca mesmo tendo chegado tão longe. É que chegar ao topo não é difícil, difícil é manteres-te lá. É preciso que trabalhes para seres cada vez mais e melhor e também para nunca defraudares as expectativas que as pessoas depositam em ti, principalmente de todas aquelas miúdas que te vêem como um exemplo. É preciso também que saibas ser humilde e aceitar os momentos menos bons, aprendendo a tirar deles as melhores lições.
Reconheço que sou, talvez, a tua maior crítica, talvez porque te digo tudo aquilo que penso e porque sou sempre a primeira a apontar-te os erros, mas também sei que compreendes que aquilo que te exijo é também sequência da disciplina e rigor que impões a ti própria e tu sabes bem que esse é o caminho certo...
Mélissa: Para terminar queria agradecer-lhe tanta disciplina e também pedir-lhe para deixar uma mensagem a todos os que trabalham e acreditam no futsal feminino.
EP: Tal como já te disse por diversas vezes, a melhor forma de me agradeceres o que quer que seja é mostrares-me que hoje és melhor pessoa do que eras ontem e que amanhã ainda serás melhor... esse é o melhor dos agradecimentos. Quanto ao futsal, tornou-se o grande ícone ao nível das modalidades praticadas pelas mulheres, absorvendo em si um grande número de praticantes. Começa a ser demasiado evidente que algo tem de ser feito, sobretudo de forma a valorizar o trabalho que "estes e aqueles anónimos" têm feito e que simplesmente não têm a visibilidade merecida. Não sei se o problema passa pela reactivação da selecção nacional e/ou pela existência de um campeonato nacional. O que me parece é que no dia em que se olhar para a modalidade de forma séria, talvez se descubram as verdadeiras lacunas e como sequência a verdadeira potência que o futsal feminino já representa.
Enquanto nada acontece, ainda bem que há aqueles que trabalham em prol do futsal feminino e que são os primeiros a acreditar... a esses deixo o meu apreço, porque sei que por vezes enfrentam muitas dificuldades e das mais variadas ordens. Que continuem a acreditar tal como eu... porque a esperança está na resposta à questão: "haverá algo mais verdadeiro do que vencer a força com a razão?"

FINALMENTE CONSEGUIMOS....

Ontem foi mais um dia especial... Foi um dia de conquista!!! Ainda não vencemos a taça mas estar na final, após tanto sacrifício e depois de nesta competição termos eliminado duas equipas de grande qualidade, que já disputam esta competição há vários anos, é já uma conquista.
Foi um jogo bem disputado, no qual demonstramos sempre a nossa superioridade e vontade de vencer.
Após 70 minutos de jogadas de perigo, entre elas com bolas nos postes, na trave, na proximidade da baliza e até mesmo no corpo das nossas adversárias, não conseguimos resolver o jogo. Foi necessário recorrer às grandes penalidades, nas quais se fez a justiça do encontro.
Agradeço às minhas colegas pela fé constante que tiveram na equipa e em mim. E para aquelas que ainda não tinham percebido o quanto podem ser importantes na equipa, apenas por não fazerem parte das primeiras escolhas do treinador, ontem foi claro e evidente que surge sempre a oportunidade para darem o seu contributo e ajudarem na vitória.
Em relação ao Vitória SC, os meus parabéns pelas adversidades que nos conseguiram causar e por ter chegado a esta fase, depois de terem eliminado o actual líder do campeonato.
Aos adeptos o meu obrigada pelo apoio nos bons momentos, mas sobretudo nas alturas de maior fragilidade.

15 de fevereiro de 2009

MÉLISSA NOMEADA PARA TROFEU "O MINHOTO"

Mélissa foi mais uma vez nomeada para um prémio. Desta feita a nomeação é na categoria de Futsal e o prémio é relativo aos troféus "O Minhoto", que reconhecem o mérito de atletas, dirigentes, treinadores, árbitros e outros agentes desportivos do Minho.
A XII Gala de entrega dos Troféus "O Minhoto" é já amanhã, pelas 20 horas, em Ponte da Barca.

APESAR da DERROTA...

Ontem foi um dia complicado para mim e para toda a minha equipa. Esperava-nos um jogo muito importante e decisivo, tendo em conta a possibilidade da conquista do título.
Começamos por nos juntar em minha casa, onde passamos mais uma tarde muito agradável. De seguida fomos todas juntas para o jogo.
Já no balneário a música tocava e "acreditar" era a palavra que suava nos nossos ouvidos. E assim entramos em campo, com a fé e força de que éramos capazes de conquistar os três pontos. Infelizmente as coisas começaram por nos correr mal. As jogadas organizadas, os contra-ataques, os remates e todos os outros lances pareciam não sair como habitualmente, no entanto, lutamos até ao fim. Tivemos pena de não retribuir aos nossos adeptos o carinho com que nos têm seguido, mas prometemos voltar a fazê-los sonhar.
À equipa adversária dou os meus parabéns pela exibição e pela regularidade apresentada, até ao momento, ao longo de todo o campeonato.