29 de janeiro de 2009

ENTREVISTA A D. CARMEN... MINHA MÃE

E para continuar o conjunto de entrevistas, nada melhor do que entrevistar aquela que é uma das maiores razões da minha vida... a minha MÃE. Foi o maior desafio de todos, porque além da excelente relação mãe-filha, temos uma grande cumplicidade em tudo na vida.
Perante a sua grandeza, enquanto ser humano, não ouso alongar-me mais, porque tudo o que possa dizer sobre a D. Cármen será sempre muito pouco.
Fica o orgulho de poder partilhar com todos as suas opiniões e histórias de quem sempre me encaminhou na vida, com o sorriso que só ela sabe ter...

A minha MÃE na primeira pessoa...

Mélissa: Desde que me lembro, tenho uma paixão muito grande pela bola. Queres relembrar-me quando e como é que surgiu esta minha paixão?
Mãe: É verdade, desde muito cedo que ganhaste uma grande amiga, a bola. Recordo-me que na altura o futebol passava despercebido no Canadá, onde vivíamos. Quando chegamos a Portugal ouvia-se e via-se futebol em cada esquina e não tardou muito até demonstrares que tinhas uma capacidade acima da média para jogar futebol. Tinhas cerca de 4 anos e andavas no colégio e logo no primeiro intervalo foste jogar para o ringue e chamaste de imediato a atenção das tuas educadoras, pela tua enorme habilidade. Os intervalos sucederam-se e a paixão foi crescendo, até aos dias de hoje.
Mélissa: Apesar de tudo, sempre me deixaste praticar futsal/futebol, apoiando-me incondicionalmente. Sentias necessidade de me apoiar?
Mãe: Na verdade, inicialmente, não te incentivei muito e não me agradava a ideia de jogares como federada. Tinha receio por diversos motivos. Essencialmente pelos estudos. Poderias cair na ilusão dos comentários e no próprio ambiente do futebol, porque sabia o quanto te fascinava. Só não sabia que ias ter a devida maturidade para dar a devida importância a cada coisa. Surpreendeste-me imenso quando as pequenas responsabilidades começaram a surgir. E agora, sou como o teu pai, apoio-te a 100%, porque percebi que lutas por aquilo que acreditas.
Mélissa: Durante vários anos fiz a minha formação, enquanto jogadora, em equipas masculinas. Não te fazia confusão que a tua filha fosse a única menina entre os rapazes?
Mãe: Fazia um pouco. Não pelos motivos aparentemente mais lógicos, porque em toda a tua adolescência tiveste amigos. Estavas sempre no meio deles e como tal já estava habituada. O que mais receava era que te magoasses devido à diferença física.
Mélissa: Adoro ver-te na bancada, porque me transmites muita segurança. O que sentes quando me vês jogar?
Mãe: São diversos os sentimentos que sinto à flor da pele, mas acima de tudo sinto orgulho.
Mélissa: E o que significa ver a filha representar o país?
Mãe: O sentimento principal repete-se. É tanto orgulho que apetece gritas da bancada que é minha filha. Quem é mãe sabe como é e sente, pois um filho é algo que cresce e nasce de dentro de nós.
Mélissa: Eu sei que para ti sou a melhor jogadora do mundo (risos), mas gostava que me caracterizasses enquanto pessoa...
Mãe: Ao contrário do que todos pensam, a Mélissa é uma pessoa muito mimada a nível sentimental. Procura sempre a mão e o aconchego daqueles de quem gosta para que tenha a força de guerreira no seu quotidiano. É, sem dúvida, muito lutadora, fria e calculista nos devidos momentos. Luta até ao fim por aquilo que quer. Juntamente com isto atribuo-lhe o maior de todos os defeitos, que nasce na consequência da sua forma de lutar... gosta de ser justa e não consegue dar sem receber em troca...
Mélissa: É junto de ti que passo a minha vida e conheces-me melhor que ninguém. Lanço-te o desafio de partilhares algumas histórias que mostrem a minha forma de ser e estar perante a vida.
Mãe: Como já referi, lutas até ao fim por aquilo que queres e gostas que a vida seja levada de forma justa e retribuída. Um exemplo vivo disso é a caricata situação que viveste com a tua avó. Recordo-me que passaste o dia a pedir-lhe que te levasse para o jardim para poderes jogar à bola. Fizeste mil e uma tarefas domésticas, para que pudesses ser recompensada. Como ela andava sem paciência e muito cansada, optou por te dizer que já era tarde e encaminhou-se para o sofá. Tu, apesar de só teres 4 anos, tiveste noção da injustiça que te deparavas. Enervaste-te de um jeito incrível e decidiste morder-lhe a perna, de tal forma que, ainda hoje tem a marca.
Outra história engraçada e muito característica do teu carácter... jogavas futebol 11 nos iniciados do Merelinense. Num jogo ficaste com o olho negro, porque resolveste cabecear a bola quase ao nível do chão. Um dos rapazes da equipa contrária disputou a bola contigo. Tu acertaste na bola e ele acertou-te na cara. Como sabias que eu não suportava a brutalidade e violência que se podia tornar um jogo de futebol com os rapazes, evitaste cruzar-te comigo o dia todo, com receio que te proibisse de jogar. O que tu não fazias pela bola...
Mélissa: Para terminar, quais são os teus desejos e perspectivas para o meu futuro pessoal e desportivo?
Mãe: O maior desejo de uma mãe é ver os filhos com o sorriso no rosto. A felicidade é, sem dúvida, o maior dos meus desejos para ti. Na sequência disto espero que termines o teu curso e te tornes uma excelente profissional. Seja longe ou perto de mim, estarei sempre contigo. A nível desportivo não perspectivo nada de especial para o teu futuro. Apenas que te divirtas a jogar e conheças pessoas que te façam bem.

25 de janeiro de 2009

ADC GUALTAR - 7 : 0 - UD VILA CHÁ

Ontem, dia 24 de Janeiro, a minha equipa, a ADC Gualtar, realizou o jogo referente à 11ª jornada do campeonato, frente à UD Vila Chá. A equipa entrou muito bem no jogo, demonstrando qualidade e vontade de assumir o seu controlo logo desde o início.
As boas jogadas foram uma constante, fazendo com que os golos entrassem com naturalidade e também se proporcionasse um belo espectáculo para quem assistia.
Ao intervalo já vencíamos por 7-0, com os golos a serem marcados precisamente a coroar algumas dessas boas jogadas.
Na segunda parte encaramos o jogo com mais tranquilidade, dado que o importante seria evitar o esforço físico das atletas, optando por rodar a equipa e por fazer posse de bola.
Conquistamos assim mais três e continuaremos o nosso trabalho para que os objectivos sejam alcançados.

21 de janeiro de 2009

ENTREVISTA A PAULO BARREIRA

Para dar continuidade ao conjunto de entrevistas que estou a realizar às pessoas que representam os meus "outros significativos" e que de uma forma ou de outra fazem parte do meu quotidiano, escolhi o meu Fisioterapeuta de eleição.
Paulo Barreira é Fisioterapeuta há apenas 5 anos, mas demonstra ser um profissional que classifico como exemplar. Fez a pós-graduação em Fisioterapia Desportiva na Universidad Europea de Madrid-Real Madrid Estudos Universitários e sendo um estudioso por natureza, consegue dividir-se nas mais diversas tarefas relacionadas com a profissão, executando-as com a perfeição que o caracteriza. Actualmente tem a sua própria clínica, dá aulas na faculdade onde se formou e ainda tem tempo para frequentar o 4.º ano da Escola de Osteopatia de Madrid. Tudo em prol da Fisioterapia Desportiva...

Paulo Barreira na primeira pessoa...

Mélissa: Certamente ainda se lembra da primeira vez que recorri à sua clínica para que me tratasse uma lesão que ninguém conseguia tratar. Quer contar-nos qual foi a sua primeira impressão?
Paulo Barreira: Com franqueza a primeira impressão foi a de conhecer uma atleta que se apresentava com um elevado grau de motivação para solucionar uma lesão que a vinha a condicionar há algum tempo, mas com um certo receio de ver defraudadas as suas expectativas em relação a mais um processo de recuperação, com um Fisioterapeuta até à data desconhecido, uma clínica que não conhecia, etc.
M: Cedo se apercebeu da importância da bola na minha vida. Como encarou a responsabilidade de me devolver a alegria de voltar a jogar sem limitações?
PB: É sempre uma tarefa complicada. Intervir em casos de lesões com carácter crónico como a tua traz-nos sempre obrigações acrescidas, uma vez que temos de pensar sempre que já algumas coisas foram tentadas sem sucesso, ou que existe alguma condicionante no processo de reabilitação. A juntar a isso lida-se sempre com um grau de ansiedade por parte do paciente. Claro que existiu de minha parte a responsabilidade e desejo pessoal de que as coisas corressem bem, pois acaba por ser motivante para mim como Fisioterapeuta encarar esse tipo de desafios, ou seja, intervir em lesões com cronicidade associada, e depois verificar que o atleta volta a estar satisfeito com o seu rendimento físico. É de facto motivante e a melhor parte da nossa profissão, a meu ver, claro!
M: E como me caracteriza enquanto sua paciente?
PB: Da melhor maneira, penso eu. E digo isto porque para mim, enquanto Fisioterapeuta, gosto de trabalhar com atletas na verdadeira essência da palavra, ou seja, que respeitem o seu corpo para atingir os índices físicos que se propõem e para estarem continuamente a melhorar. Classifico-te como uma dessas atletas. E depois claro, tendo essa consciência do respeito pelo teu corpo tornas-te uma pessoa que nos processos de recuperação, da mais complicada à simples lesão, colaboras a 100%, e além de motivador para mim, os resultados da intervenção são francamente melhores.
M: Devo dizer-lhe que é a pessoa em quem confio para tratar das minhas lesões e sei que não sou a única. Como se sente por ser tão requisitado, inclusivamente por jogadores a jogar no estrangeiro?
PB: Em primeiro lugar obrigado pelo voto de confiança, fico grato por isso. É sempre muito bom ter a confiança dos nossos atletas, muito mais quando se tratam de atletas de alto rendimento e com algum destaque no panorama do desporto nacional. Acaba por ser um incentivo à continuação do meu trabalho, sinal de que as pessoas estão satisfeitas com o meu empenho e com os resultados que ele produz, e motivo de agradecimento a esses atletas que, muitas vezes com todos os recursos possíveis disponibilizados optam pelos meus serviços, o que é um voto de confiança.
M: Optou por uma formação voltada para a vertente desportiva. Qual o motivo dessa opção?
PB: Sempre gostei de desporto, de vários aliás. E para ser franco, ao ingressar no curso de Fisioterapia, nem tinha bem a ideia de todas as áreas em que podíamos trabalhar, o que é caricato pois estava a entrar num curso superior e nem conhecia bem todas as suas potencialidades, como o trabalho nas áreas respiratória, neurológica ou pediátrica, por exemplo. Para mim eu ia ser Fisioterapeuta para trabalhar com atletas. Agrada-me o trabalho com esta população tão especial, porque do ponto de vista de reabilitação podemos realizar coisas que não realizamos com outro tipo de pacientes. E ao mesmo tempo porque acabamos envolvidos em tudo o que é a responsabilidade de voltar a pôr um atleta a jogar. E por último porque é muito satisfatório constatarmos que contribuímos para que um indivíduo possa voltar a executar tarefas que do ponto de vista físico, ou biomecânico, são tão complicadas e tão exigentes, que caso o Fisioterapeuta não intervisse, nunca poderiam voltar a ser realizadas após determinada lesão. A vitória do atleta no processo de recuperação acaba por ser nossa também.
M: Apesar de ainda ser jovem, já possui a experiência de trabalhar em clubes, na sua clínica e agora também dá aulas, além de que ainda arranja tempo para estudar, uma vez que está a tirar mais um curso. Afinal, qual o seu grande objectivo?
PB: Penso que é o de toda a gente que trabalha nesta área, ser cada vez melhor profissional e melhorar a minha capacidade de resposta aos problemas que vão surgindo por parte dos pacientes. Ou seja, desejo evoluir. A escolha dos cursos vem pela pertinência que eles revelam na área em que actuo, pois acredito que além de melhorarem os meus conhecimentos na área de desporto e actuação em ortotraumatologia, trouxeram-me mais soluções no tratamento dos pacientes, e uma visão mais alargada e menos restrita de certos problemas.
M: E ter a sua própria clínica foi um sonho realizado?
PB: Da maneira como ela está estruturada foi, sem dúvida. Tive o privilégio de poder construir, juntamente com os meus colegas e sócios, um espaço com parte dos requisitos que considero importantes no trabalho com atletas, além de alguns recursos que não são muito comuns noutros espaços. Por ter feito um espaço, em parte à minha medida e onde trabalho com tempo e disponibilidade para os meus pacientes, sem ter de estar centrado apenas no factor tempo/facturação, trabalhar na minha clínica constitui uma enorme satisfação pois permite-me trabalhar como eu sempre gostei de o fazer.
M: É frequente ter na clínica atletas a debelar lesões. A Fisioterapia desportiva é a sua grande paixão?
PB: Sem dúvida. Como já foquei numa questão anterior, é de facto a área com a qual me identifico e na qual gosto mais de trabalhar. E também a única, juntamente com a ortotraumatologia geral, em que trabalho. Não lido com pacientes de outro foro que não esses.
M: E pegando na pergunta anterior, na sua opinião, como está a Fisioterapia desportiva em Portugal?
PB: Bem, creio eu. Nos últimos anos tem-se verificado uma emergência de bons profissionais. Colegas interessados em evoluir e que cada vez mais se preocupam em tratar os seus atletas baseados em dados e evidência científica, deixando de parte o empirismo que durante muitos anos tem estado associado à reabilitação nesta área. Mesmo da parte dos clubes verifica-se um crescente interesse na contratação de Fisioterapeutas. Acho que as pessoas já entenderam que podemos fazer a diferença relativamente a outros profissionais, com todo o respeito que me merecem, e procuram os nossos serviços. Infelizmente o momento financeiro actual do desporto em Portugal não é o melhor, o que ainda condiciona em parte a nossa evolução.
M: E para terminar, qual é o seu grande sonho enquanto Fisioterapeuta?
PB: Essa pergunta é a mais complicada. Creio que parte dos meus objectivos já foram concretizados, que eram a possibilidade de trabalhar de forma independente, na área que gosto e num espaço agradável. Outro era trabalhar com atletas de alta competição, o que felizmente tem acontecido pois além de deslocações à Alemanha, no último ano, para tratar um atleta, tenho dado assistência a jogadores de diversas ligas.
De momento estou a trabalhar com um atleta que se encontra na Bulgária, já tratei um atleta do campeonato angolano, ou seja, sinto-me num período de evolução e estou grato por isso. E também pelos atletas das competições nacionais que tenho o privilégio de ter na clínica, tal como tu. Como objectivo máximo seria trabalhar num grande clube de futebol a nível Europeu, por tudo o que isso representa. Isso seria fantástico, apesar dos sacrifícios que engloba.

17 de janeiro de 2009

UMA FORÇA À NOSSA SELECÇÃO DISTRITAL

Este fim-de-semana joga-se o Torneio Nacional de Futsal Feminino Sub-19.
Dado que me encontro com problemas físicos que me impedem de integrar a equipa, gostaria de desejar a todas as atletas, equipa técnica e a outros membros envolvidos na comitiva, um bom trabalho, sorte e acima de tudo felicidades.

Todos ficaremos à espera que o título seja renovado.